Será que me lembro quem sou?

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Nem sei para onde vou mas sei que vou para muito longe.


Não forcei a vida, vivi um dia de cada vez.
Só te conto o que se passa porque não escondo o que vês.
Não se trata de uma escolha, é uma obrigação,
Afastar-me de mim próprio não ceder a uma opção,
Deixar esta rotina para que nada piore,
Arriscar para apostar em ter uma vida melhor.
Faz parte do jogo,
Pois nem tudo o que me queima é considerado fogo.
Eu estou parado no quarto mas o mundo gira
Para viver esta verdade, fui criado na mentira.
Vou fazer a mala, tenho gente à minha espera,
Em direção ao destino é para onde a vida me leva.
Já falta pouco tempo, e eu estou preocupado
Porque este som de fundo mantém o mundo calado.
Sabes quando tens que ir, sem saber se vais voltar?
Pois, é para aí que eu vou morar.
Não era suposto saberes que eu ia partir hoje,
Nem sei para onde vou mas sei que vou para muito longe.
Queres vir? Anda, podes vir comigo,
Traz o coração de pedra e deixa o lobo mau fodido.
Já sabes que é assim,
Os que são feitos de capim, esquecem-se sempre de mim.
Vês? e eu não quero isso para ti,
Só isso já é uma razão para eu ter que sair daqui.
Nem me fales na saudade, ainda nem fui e já sinto.
Volto rápido, ainda nem fui e já minto.
Sei que foi, em cima da hora, mas tenho que ir.
Vai dando noticias, nunca deixes de sorrir.
Custa não é? Eu sei também não queria,
Mas subscrevo quem disse que tudo acaba um dia.
Lembra-te daquilo que vivemos e no fim percebe
Que nós não podemos fazer só aquilo que queremos, por favor entende.


Eu sei que foi uma decisão repentina
Mas agora que cheguei até me adequo à rotina,
Aqui fico vendo coisas que eu nunca imaginei,
É como estar a aprender de novo tudo o que já sei.
Pintam corações em telas e nunca chegam a secar
De famílias separadas por uma noite invulgar.
São as tais vozes que entoam num ambiente vácuo
Entre dezenas de pessoas que passam e pedem tabaco.
A tal tosse que mostra que alguém está fraco,
Aqui só mostra o quanto o homem já está farto do trabalho.
É complicado, ver um sorriso forçado
De quem diz estar bem na vida com um emprego mal pago.
E o mendigo cego vai tocando a concertina
Enquanto a filha estende a mão e pede dinheiro,
Apesar de nova, sabe que essa é a sua vida,
Pois quer ver o pai sorrir já que ele não a viu primeiro.
Custa acreditar não é?
Homens a investir menos em casa e mais no café.
”Caos urbano”, era isto que eu dizia
Tudo o que sabes da vida, aprendes aqui num dia.
Nem me sinto bem à procura de uma pensão
Enquanto uns recolhem roupa rota e pedaços de papelão.
Dá-me vontade de nem subir,
De me sentar aqui ao pé de ti e ficar a ouvir.
Não tenho as melhores palavras mas tenho os melhores ouvidos,
Queres desabafar? ”Não, já falei com o Minus.”
Saio calado da beira dele, mas a pensar
Se as pessoas não seguem o termo ”juntos ao luar”.
Essas lágrimas, imagino-te a conteres,
Ainda bem que não vieste, ainda é cedo para veres
Os perigos desta vida a dizer ao tempo
Que a maior lição não é dada sem mostrar exemplos.

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 /  Via: carlacoelho078